Saiba qual é a melhor tradução da Bíblia em português

tradução da biblia

Como todos devem saber a Bíblia é uma coletânea de 66 livros, sendo 39 livros no Antigo Testamento, e 27 no Novo Testamento. O que poucos sabem é em quais línguas [originalmente] foi escrita essa importante coletânea de manuscritos, que é a Palavra de Deus.

1) Quais línguas a Bíblia foi originalmente escrita?

            Todos os livros originais, conhecidos como autógrafos, como foram escritos pelos seus autores, se perderam. As edições do Antigo Testamento hebraico e do Novo Testamento grego se baseiam nas melhores e mais antigas cópias que existem e que foram encontradas graças às descobertas arqueológicas.
Os sessenta e seis livros que formam a Bíblia foram originalmente escritos em três línguas diferentes: o hebraico que constitui a maior parte do Antigo Testamento, o aramaico que é uma língua irmã do hebraico e o grego que constitui todo o Novo. 1

– Hebraico:

O hebraico foi a língua em que foi escrito
a maioria do Antigo Testamento. Era a língua falada pelos hebreus e, atualmente, é a língua oficial do estado de Israel. Apenas alguns trechos do Antigo Testamento foram escritos em outra língua, o aramaico, mas dela vamos falar mais adiante.

Muitos séculos antes do nascimento de Jesus Cristo, era costume entre os escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu, manter os registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros eram de grande significado e importância em suas vidas e, por isso, eram copiados inúmeras vezes e passados de geração em geração. E, no decorrer do tempo, esses importantes registros foram reunidos em coleções, e passaram a ser conhecidas como: A Lei, Os Profetas e As Escrituras.

Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora A Lei, frequentemente, fosse copiada em dois grandes pergaminhos.

A língua hebraica era também conhecida como judaica (Neemias 13:24) ou a língua de Canaã (Isaías 19:18).

– Aramaico:

O aramaico era um idioma semítico utilizado pelos povos ao Norte e Nordeste de Canaã, que ia da Síria até o Alto Eufrates. Composto por um grupo de dialetos muito ligado à língua hebraica, era falado não só em Israel, mas também em vários outros países da época no mundo bíblico (2 Rs 18:26).
A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico quando o povo israelita foi levado ao cativeiro na Assíria, tendo continuidade na Babilônia durante o cativeiro de Judá.
Ao regressar do exílio, o aramaico tinha se tornado a língua principal de Israel. E por isso, no tempo de Esdras, era necessário que as Escrituras fossem explicadas ao povo pois eram lidas da forma como estavam escritas, ou seja, na língua hebraica (Neemias 8:5,8).
A popularização do aramaico entre os Judeus e nações vizinhas, se deu devido às transações comerciais dos Arameus na Ásia Menor e litoral do Mediterrâneo, que fez com que se tornasse uma língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das rotas comerciais do Oriente. Este idioma é também chamado de “siríaco” (Daniel 2:4 e Esdras 4:7) e “caldaico” (Daniel 1:4).
Os trechos bíblicos do Antigo Testamento que foram escritos em aramaico são: Esdras 4:8-6, 18; 7:12-26; Daniel 2:4-7, 28 e Jeremias 10:11). Todo o restante do Velho Testamento foi originalmente escrito em hebraico.

– Grego:

            O grego do Novo Testamento não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem comum, estudante, que todos podiam entender, por isso conhecido como koine (comum). O grego koine se estabeleceu quando Alexandre “O Grande” dominou o mundo com o Império Greco-Macedonico, que falava este idioma. O koine era um idioma de fácil aprendizado por ser claro, de qualidade definida, facilidade de expressão e também de comunicação.
E por isso, todo o novo testamento foi escrito neste idioma, o grego comum, pois era a língua falada na época por grande maioria dos povos.

2) Quais os tipo de tradução?

            “Historicamente, a Igreja tem compreendido a natureza das Escrituras Sagradas de maneira muito semelhante à sua compreensão da Pessoa de Cristo. Ou seja, elas são ao mesmo tempo humana e divina. E é dessa dupla natureza da Bíblia que surge a necessidade da nossa interpretação a respeito do que está escrito. A interpretação da Bíblia é exigida pela “tensão” que existe entre sua relevância eterna e sua particularidade histórica.” 1

Os originais da Bíblia são a base para a elaboração de uma tradução confiável das Escrituras. Porém, como vimos inicialmente, não existe nenhuma versão original de manuscrito da Bíblia, mas sim cópias de cópias de cópias.
Presumindo que, atualmente, pouquíssimas pessoas tem o conhecimento necessário para uma leitura bíblica nos idiomas originais. Encontramos a necessidade da existência de boas traduções das Escrituras para outros idiomas, afim de disponibilizar a todos a leitura, o estudo e consequentemente, o entendimento da mensagem de Deus.

Mas, afinal de contas, como são feitas essas traduções?

Ao traduzir as Escrituras do idioma originalmente escrito para qualquer outro idioma, há dois tipos de opções que os tradutores têm de fazer: uma é de caráter textual e a outra de caráter linguístico. E para entender como são feitas as traduções, precisamos antes entender cada uma dessas opções.

– Opções textuais:

            Existem dois tipos de evidências de escolhas textuais as quais os tradutores precisam recorrer.
A primeira evidência é a externa, que compreende a natureza e a qualidade dos manuscritos que estão sendo analisados. A segunda evidência é a interna, que compreende os tipos de erros que os copistas estavam sujeito ao reproduzir o escrito original. Para a grande maioria das variantes encontradas entre os manuscritos, a melhor (ou a boa) evidência externa combina com a melhor evidência interna para nos dar, de forma satisfatória, um alto grau de certeza quanto ao texto original. 1

– Opções linguísticas:

            Estas opções levam em conta a maneira que o tradutor vai transferir as palavras e ideias de uma língua para outra. Vejamos, então, alguns termos técnicos e as opções disponíveis na hora da tradução:

  • Língua-fonte: língua em que está o texto que se quer traduzir, em nosso caso, hebraico, aramaico e grego.
  • Língua-alvo: língua para a qual se traduz um texto.
  • Distanciamento histórico: diz respeito às diferenças que existem entre a língua-fonte e a língua-alvo, tanto no que se refere a palavras, gramática e idiomas quanto no que se refere à cultura e à história.
  • Equivalência formal: tentativa de manter o texto-alvo bem próximo da “forma” do hebraico e do grego, tanto em relação às palavras quanto em relação à gramática, de um modo que possa ser convenientemente entendido na língua-alvo. Quanto mais próximo o texto-alvo estiver das línguas hebraica e grega, mais próximo estará da teoria da tradução descrita muitas vezes como “literal”.
  • Equivalência funcional: tentativa de manter o significado do hebraico ou do grego traduzindo palavras ou expressões de acordo com o modo como as pessoas se expressam em sua língua. Esse tipo de tradução “atualiza” questões de linguagem, gramática e estilo. Quanto mais se optar pela equivalência funcional, mais próximo se estará da teoria da tradução frequentemente descrita como “equivalência dinâmica”.
  • Tradução livre: tentativa de traduzir ideias de uma língua para outra, com uma preocupação menor de usar as palavras exatas do original. Essa tradução tenta eliminar tanto quanto possível o distanciamento histórico e ainda tenta ser fiel ao texto original. 1
3) Quais as mais recomendadas para os brasileiros?

            Na língua portuguesa temos uma série de traduções muito boas as quais podemos utilizar. Por isso, é recomendado que você possua, pelo menos, duas traduções diferentes. Uma mais voltada à equivalência formal ou literal e outra voltada a equivalência funcional ou livre, a fim de que você possa entender o que esta lendo mas ao mesmo tempo preservar o rico conteúdo da mensagem original.

De um extremo ao outro temos:
linha do tempo traduções

            A escolha da melhor tradução depende da finalidade a qual você pretende utilizá-la. Por exemplo, a NVT, NVI e a ARA são boas traduções para a pregação da Palavra, exegese e o estudo, pois elas possuem um equilíbrio maior entre a formalidade e a funcionalidade na tradução. A NVT e a NVI dão uma ênfase um pouco maior à funcionalidade, lembrando que a NVT ainda é um pouco mais formal do que a NVI, enquanto a ARA prefere maior ênfase na formalidade.

1 – os trechos em itálico foram retirados do livro “Entendes o que lês?

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